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dez 04

Relatório de Gestão – Novembro 2020

Relatório de Gestão – Novembro 2020

Em anos de eleições presidenciais americanas, a volatilidade anualizada entre os meses de setembro e novembro é historicamente maior. Desta vez, não foi diferente.

O desfecho eleitoral e a importante notícia de que a esperada vacina para a Covid-19 está próxima melhoraram as expectativas de uma recuperação na atividade em 2021.

Também elevaram o otimismo para ativos de risco, com as bolsas globais em altas históricas, commodities subindo e o dólar caindo frente ao real e às principais moedas.

Sob o prisma dos fatores de risco empregados (Valor, Momentum, Qualidade, Baixo Risco e Crescimento), a tendência de melhora observada em outubro se repete. Qualidade e Baixo Risco têm novamente retornos positivos, deixando o pior momento entre agosto e setembro. Valor com o melhor retorno, e o Crescimento e Momentum com oscilação, mas fechando com retornos próximos a zero.

Consideramos a perspectiva de retorno dos fatores muito boa. A avaliação entre as ações compradas versus as vendidas, em um mesmo fator, a alta dispersão de retornos durante a crise e o viés das preferências (exuberância) dos investidores por empresas baseadas em narrativas do que fundamentos correntes, formam um ambiente de boas oportunidades para os retornos fatoriais. Em especial o fator Qualidade, cujas avaliações são mais discrepantes.

Claro, não procuramos prever o ponto de inflexão para os fatores que têm apresentado desempenho inferior. Escolhemos uma carteira baseada em fatores de risco por seus retornos melhores no tempo, construímos carteiras significativamente diferentes do benchmark e do mercado e, com isso, os retornos também podem ser bastante diferentes em períodos menores.

 

Constância Fundamento FIA

O Fundo obteve retorno de +13,48%, comparado a uma oscilação de +15,9% do Índice Ibovespa. A disparada do Índice Bovespa contou com grande entrada de capital estrangeiro, aproximadamente, R$ 30 bilhões, pela contabilização da própria Bolsa.

A liderança do movimento de alta veio de um grupo de ações diferente do que tínhamos no mercado até outubro, as ações mais cíclicas, ligadas a commodities (PETR3 +39%, VALE3 +24.7%), e os bancos (SANB11 +26.7%, ITUB +25,3%) subiram mais que outros setores e, sozinhos, explicam dez mil dos quatorze mil e quatrocentos pontos de alta do índice no mês.

As operações de Hedge do fundo colaboraram com 2,23% no mês. São dois aspectos tratados nesse tipo de operação: o primeiro, compra de proteção para reduzir perdas em períodos de aversão a risco muito elevada através de compra de Puts, o mais natural para um fundo de ações são as operações que ganhem quando o mercado cai.

Outro aspecto diz respeito ao Benchmark. O Índice Bovespa tem dois setores notavelmente super-representados, financeiro e commodities, sendo mais de 60% da composição total.

Setores como Serviços e Montadoras, por exemplo, são sub-representados. O Ibovespa não reflete bem o conjunto de oportunidades da economia brasileira. Para um fundo com uma carteira altamente diversificada setorialmente, e com as maiores posições ocupando de 5% a 6% do patrimônio, uma valorização acima do mercado nesses setores requer atenção.

Nossa preferência é por manter a diversificação maior da carteira e comprar opções que se beneficiem em caso de valorização desse grupo. A avaliação é feita considerando três critérios: o modelo multi-fatorial, a avaliação fundamentalista de nossos analistas e o custo do hedge.

Setorialmente, as opções somadas as posições da carteira nos setores Mineração (VALE3) e Energia (PETR4) foram as maiores contribuições:

 

Confira aqui todas as características, histórico e disclaimers do Constância Fundamento FIA.

 

Constância Absoluto FIM

O fundo obteve uma rentabilidade de +2,73%. Nossa estratégia Long Short multifatorial, que busca capturar os retornos de fatores de risco conhecidos como Valor, Momentum, Qualidade, Baixo Risco e Crescimento, apresentou retornos -0.10%.

O fator Valor foi muito representado por ações do setor de Commodities e Energia Elétrica e vendido em varejo. Transportes e Consumo tiveram os melhores retornos entre os fatores de estilo.

As estratégias de Eventos colaboraram com +1,58% com a forte valorização de ações e opções ligadas a reabertura da economia e do advento da divulgação de uma vacina para o Covid-19, servindo como catalizador.

As  estratégias de Volatilidade e Arbitragens colaboraram com +1.74%. A rápida valorização das ações ajudou, e obtivemos lucro com operações compradas em Volatilidade nos setores Educacional, Mineração e Energia.

Confira aqui todas as características, histórico e disclaimers do Constância Absoluto FIM.

 

Constância Brasil FIA

O Constância Brasil FIA apresentou rentabilidade de 14,00% inferior ao Ibovespa, que teve rentabilidade de 15,90% em novembro. A carteira discricionária superou levemente o Ibovespa e apresentou desempenho de 16,1%, enquanto a carteira sistemática, por ter Beta menor e ser mais diversificada, teve desempenho de 12,6%.

O mês foi marcado por volatilidade, alta das commodities e entrada maciça de investidores estrangeiros, depois da definição das eleições americanas e declarações, além de novas fases de múltiplas vacinas ao redor do mundo, que começarão a ser aplicadas no início de 2021 para grupos específicos.  Além disso, o dólar caiu perante o real e saiu de R$ 5,80 para R$ 5,30, em apenas um mês.

Os destaques foram papéis com alta liquidez pertencentes ao Ibovespa, com negócios relacionados ao Petróleo, Minério e Siderurgia. Além dos papéis de empresas que se beneficiam da queda do dólar e da abertura da economia, como as Companhias Aéreas.

Destacamos Azul AZUL4) e Gol (GOLL4), com valorizações de 68,6% e 49,9%, além de PetroRio (PRIO3) e Petrobrás (PETR3), com valorizações de 60,2% e 34,5%, respectivamente.

Os desempenhos negativos foram ações de empresas do setor de Consumo, que se destacaram do auge da pandemia, B2W (BTOW3) e Magazine Luiza (MGLU3) se desvalorizaram 6,4% e 5,1% respectivamente. Finalizamos o mês com 84 ações e 97% da carteira investida.

Confira aqui todas as características, histórico e disclaimers do Constância Brasil FIA.

 

Julio Erse

Diretor de Gestão